"De uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem:
é o homem que pertence à terra. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizerà trama, a si próprio fará."
A comunidade Árvore Sagrada, nasceu de um projeto social, de princípio não-governamental, com vínculo ativista e ocultista, foi idealizado desde 1999 e tem como missão defender a flora, fauna e identidade cultural, folclórica e de crença nativa do Brasil e Península Ibérica, valorizando assim, a diversidade humana dessas regiões, e encontrando soluções para sua preservação.
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domingo, 16 de janeiro de 2011
Definindo um pouco o que é o paganismo...
Origem da Palavra
Segundo o Dicionário Latim-Português editado pelo professor Otávio de Queiroz em 1956, a palavra Paganus significa apenas aldeão, gentio. Pagus é o nome para aldeia, povoação. Outra palavra do mesmo dicionário é Paganicum, propriedade rural, quinta.
Paganus é uma palavra latina, do tronco lingüístico romano, proveniente da Roma Antiga, e que permanece nos dias de hoje mantendo de certa forma sua mesma acepção primitiva.
O conjunto das crenças e praticas religiosas dos pagus eram então chamadas de paganitas ou paganatis, o nosso conhecido paganismo.
Religiosidade
Paganismo seria todo culto fortemente influenciado pelos ciclos da natureza, que reconhece o poder do homem em influenciar os acontecimentos (magias, feitiços e ritos para se obter determinados objetivos) e que cultuava um variado número de divindades (politeísmo) como representação das forças e dos elementos existentes em suas vidas, além do culto aos mortos tido como ancestrais ou fraternais.
História
Segundo Peter Brown, autor do clássico L'essor du Christianisme Ocidental, o termo teria origem na oposição entre a religiosidade da metrópole romana (Urbes - Urbano), na época já dominada pelo cristianismo, e as vilas e aldeias campesinas (Paganus - Campo), que ainda mantinham seus cultos de fertilidade, ligados aos ciclos de colheita e às antigas divindades da Terra. Partindo dessa premissa, enquanto o cristianismo dominava a capital do império romano, ou seja,
Roma, as primitivas crenças politeístas e bucólicas do povo do campo ainda eram mantidas.
Portanto os que não eram cristãos (pagãos) não eram doutrinados e portanto não batizados e assim chegamos ao termo de pagão = a não batizado.
Notas
Paganismo é um termo que veio do latim e serve de rótulo para as crenças da natureza que cultuam deuses e ancestrais, é a base de muitas religiões tal como o druidismo, bruxaria, candomblé, hinduísmo, etc...
Reflexo

Mulher das chamas
Filha dos deuses... do universoExpansão do belo e do liberto...
Guerreira e derradeira
Segue em seu voar
Cabelos soltos ao vento...
Mechas mescladas que iluminam
Olhos brilhantes que transmitem e emitem seus desejos
Misterioso ato que a torna transparente
Equilibrando-se entre os mundos percorre seu caminho
Sempre em busca do verdadeiro e atrevido
Ousadia inocente de menina travessa
Esboçado em movimento e poesia
Em teu corpo curvilíneo
Guarda os desejos mais íntimos
Trás estampado no rosto suas vivências
E nos lábios seus caprichos...
Seu sorriso leva à perdição
Em seu gemido contemplação
Leveza e Doçura misturada a Intensidade e Loucura
Firmeza que domina e anima
Na pele exibe suas paixões
Nas costas carrega o mais doce aroma
A encantar... e suspirar....
Menina mulher com um jeito que é só dela...
Carrega as ondas do mar a nomear
A brisa dos furacões a suspender
E a chama da terra em brasa a lhe queimar
Devaneios... meus devaneios!!
Passos calmo pela rua deserta
Olhos perdidos em meio ao cinza do asfalto
O silêncio enchendo o vazio da cena,
Dando espaço para os pensamentos excedidos e contidos
Caminho... em linha reta me persigo...
Perco-me ao tentar me encontrar
E recomeço o caminhar...
Os olhos oscilantes entre o brilho e a escuridão
Enxergam um perante ainda distante...
Sentindo e gritando com tamanha exatidão
Voam e mergulham em meu mar estremo
E nessas águas perco a respiração...
E engulo a seco os fragmentos de uma explosão
E os passos aceleram...
Olho para os lados procurando por alguém
Procurando por algo que não sei se existe...
Mas sei que me faz falta
Então olho para os lados... vejo um punhado de faces que me pertence
Expressões intensas e marcantes que não sei ao certo o que querem dizer
Coração acelera com os passos... e o deserto não está mais seco...
O vazio não está mais presente... e minhas vozes tomam o lugar do silêncio...
Percebo os tons de cada parte de mim...
O aroma de cada instante, enfim....
Tantas possibilidades e aspirações
Tantas vontades e desejos guardados querendo um espaço pra ser
Como escolher quem libertar...quem repreender...
Ignoro! ...ou simplesmente fujo dos meus próprios olhares pidões...
Apaticamente volto meu olhar pro acinzentado asfalto que me queima os pés... sim... os passos rápidos junto ao tempo que não para...
Percebo que estou adiando o inevitável!!
Percebo que a fuga está ficando cada vez mais difícil....
E a vontade de correr pra “casa” aumenta...
Com o peito cheio... e a cabeça pesada... tampo meus ouvidos e fecho meus olhos...
A corrida começa... o ar me falta... será O abismo logo em frente?
Sentindo o vento gélido nos cabelos, não sei se voo ou se me atiro...
O que me segura? Quais são as raízes que me sustentam nesse mundo?
Por onde anda a chuva para alimentar meus botões...
E a brisa tocará meu rosto trazendo alívio...???
Quando o cheiro de terra molhada me fará sorrir? E do meu riso brotará novamente flor...
A ânsia pelo equilíbrio se faz presente
Os sentidos apurados vertem
Dando forma diferente...
E no espelho já não me reconheço...
E o tempo, já nem é mais o mesmo...
Meus nomes se acumulam
Meus passados marcando a fogo minha pele...
Misturando os aromas de cada vivencia...
Na esperança de saber o que fazer...
Como abrir mão de parte de mim?
Como viver sabendo que parte que amo em mim vai morrer?
O cansaço chega e não tomo uma decisão...
Caio de joelhos no chão e o tempo espera uma reação
Abro os olhos... e encaro-me então
Das cinzas no chão renasce a brasa ardida
Acendo-me então...
Despeço-me de mim mais uma vez
O que é ser um Bruxo Tradicional? Esclarecendo as distorções.
Dentro dos textos que analisamos, as pessoas confundem Bruxaria com Ocultismo, com Intuição, com Feitiçaria e com o uso da internet isso se torna cada vez mais explícito, e o nosso objetivo é direcionamos para o entendimento de cada conceito.
Como dissemos, estamos aqui para agregar, porém é óbvio que temos uma linha de pensamento, quando dizemos “aceitação” é dentro dos moldes filosóficos que praticamos e todos que procuram são bem vindos.
Se hoje o termo Bruxaria não tem relação direta com os cultos pré-cristãos, dizemos que isso é uma clara distorção, se não cultuarmos a preservação de valores, então do que vale o nome tradicional? Temos que respeitar os devidos conceitos e darmos a eles os nomes destinados.
Temos um modo muito fácil de simplificar as questões e, se por acaso alguém acha que Bruxaria Tradicional tem que ser “modificada”, que ela vem se “modificando”, que ela hoje tende a ser mais “moderna”...É muito simples, troquem o termo Bruxaria Tradicional para Bruxaria Moderna e se tornem membros da Wicca.
Se por acaso acreditam que Bruxaria Tradicional é “atemporal”, que é uma junção de “sistemas mágicos”, se não há linha descendente de conhecimento, se não existe uma raiz geográfica, que prezam por algo “monista”, se acreditam que deuses são dispositivos psicológicos, que ancestrais são apenas energias a serem trabalhadas. Caros leitores, francamente, isto não é Bruxaria Tradicional, por mais que se queira dizer por status que seja.
Nossa intenção é agregar e não temos pretensão alguma em destruir qualquer coisa, até por que para se destruir algo “isto ou aquilo” tem que pelo menos existir e hoje tudo o que vemos dentro do que é mostrado em Bruxaria Tradicional, tanto de instituições como pessoas são apenas desejos platônicos da década de 50 para se inspirar nos cultos pré-cristãos e seus festejos pagãos, que obviamente dentro do que conhecemos não passou de um simples desejo superficial, algo para chamar a atenção da mídia.
O termo bruxaria realmente alcançou bom acesso à mídia na década de 50, tal como hoje, tem forte apelo na mídia, por ter equiparado ao termo ocultista/ místico, bem diferente do período medieval que era uma visão de anti-cristianismo dada pela campanha católica e não protestante. Como sabem o protestantismo nasceu em 1.500 d.C., mas bem antes disso, a palavra bruxaria já existia, até mesmo antes dos romanos invadirem a Península Ibérica, portanto seria mais uma falta de informação tentar dizer que bruxaria teve seu início na década de 50.
Com relação às Iniciações para ser um padre é necessário sua ordenação, para ser católico também se passará por iniciações, tal como um batismo, mas são modos diferentes de ritos de passagem.
Como funciona na Bruxaria Tradicional? Como temos dito, primeiro é necessário entender o conceito Bruxaria Tradicional, embora já explicado em diversos textos, sempre observamos a mesma confusão, então reflitam sobre esses conceitos:
- Crenças Tradicionais;
- Qual a origem do termo Bruxaria;
- Famílias Pagãs = Bruxaria Familiar/ hereditários;
- O que separa Bruxaria Familiar da Bruxaria Tradicional.
Outro contexto que devemos esclarecer é que se você não acredita em iniciação, você provavelmente não passou por esse processo e, se passou por uma não passou por todas. A transmissão dentro da Bruxaria Tradicional é ancestral, se estamos trabalhando com linha de tempo, conhecimento passado de geração a geração, é obvio que ao receber este conhecimento não existe necessidade de copiar sistemas de outras crenças, se o faz, faz por aprendizado próprio e não em nome da Bruxaria Tradicional, ou o que se aprendeu não teria valor, estaria corrompido ou fragmentado. Conheço gente que disse que nasceu Bruxo Tradicional e hoje é Wiccano, um erro conceitual, na verdade o sujeito veio de uma “família pagã”, na qual os conhecimentos transmitidos não lhe eram agradáveis ou não passavam de pequenos fragmentos sem sentido.
Como também conheço pessoas que eram wiccanas e resolveram se tornar Bruxos Tradicionais para se distanciarem de conceitos e regras comuns a qualquer caminho, seja chamado de crença, seja chamado de religião, na verdade, querendo ou não a Bruxaria Tradicional tem suas definições também, devemos entender que Bruxaria Tradicional é um agregado de costumes, folclore, filosofia, magia, enfim... Ela não é simplesmente feitiçaria, alias a feitiçaria não ocupa tão grande espaço dentro da crença como muitos acreditam, muito embora seja o mais divulgado.
Um bruxo precisa de aprovação? Depende, pedimos aprovação aos nossos mestres, pedimos aprovação em uma reunião de um grupo, pedimos aprovação para um evento publico. O fato é que as pessoas confundem aprovação como um ataque a sua soberania pessoal, uma aprovação pode ser um conselho, pode ser um ato de dividir uma tarefa, entre outros atos.
Vamos falar como funciona a Bruxaria Tradicional; não falaremos em nome de todos os grupos, porém usaremos um conceito genérico.
Um bruxo pode trabalhar sozinho? Uma boa questão! Primeiro, um bruxo pode após suas iniciações e pactos, pode viver e seguir seu caminho sem precisar criar um grupo, mas ele deve respeito e não corta vínculos com sua origem, seja esta apenas um tutor, seja esta um grupo fraterno.
O que é o sacerdócio dentro da BT? É um passo onde se busca ferramentas para lidar com iniciantes, onde se adquire conhecimentos reconhecidos para promover iniciações.
Um bruxo precisa ser um sacerdote? Não, ele não precisa se envolver com o sacerdócio, tal como um exemplo: ele pode ser católico ele não precisa ser um padre, assim fica mais fácil a compreensão.
Qualquer linha ligada ao paganismo pode celebrar os encantos da natureza, isto não é exclusividade da Bruxaria Tradicional. Se existe uma diferença sacerdotal para com um comum praticante esta diferença está somente no ponto da iniciação, do comprometimento ao ensino, de oficialização de trabalhos em grupo. Portanto não existe uma obrigatoriedade, mas repetindo, estamos falando de Bruxaria Tradicional, que é algo hierárquico, estruturado, iniciático, não estamos falando de Bruxaria Familiar, que é outra estrutura, com outros trâmites, caso o leitor tenha interesse nas definições vejam os textos anteriores de nosso blog, ou venha até um de nossos encontros.
O ensinamento está aberto para qualquer um que queira aprender, não existe necessidade de ser um sensitivo ou achar isso no astral viajando por portais, calma leitor! Não irá participar de rituais públicos, não irá ingressar automaticamente num grupo. O que propomos é apenas o ensino, o modo do pensar, do entender o mundo e para isso basta ter ouvidos. Não pensem que um Bruxo Tradicional é um “avatar” (isso infelizmente é mais uma distorção), este é apenas um caminho que te leva a ter vivência e conhecimento.
E por isso que olhamos com pesar e até questionamos o caráter de algumas pessoas que condenam o ato do ensinamento, como também o distorcem para arrebanhamento. É muito estranho para nós pensar que alguém vá contra o ato nobre de compartilhar, e que também é contra e julga àqueles que desejam se unir para realização de projetos e ideais. Entretanto uma coisa é certa, todos os que queiram serão bem recebidos em nossos projetos!
Queremos enfatizar que Bruxaria Tradicional continua sendo pagã e sempre será, que honraremos sempre a Natureza, que honraremos nossas origens e aos nossos ancestrais. Não estamos focando no céu e no inferno tal como alguns nomeiam como celestial e subterrâneo. Bruxaria Tradicional é uma visão alternativa e não um agregado de filosofias desconectadas. É isto que faz a diferença! Não é medir um bruxo se ele faz feitiços que resolvem, isso o torna apenas um bom feiticeiro, ser um bruxo é mais do que feitiçaria, um bruxo realmente odeia o barulho das cidades, ele se encontra na tranqüilidade de uma floresta, ele não transmuta a sua filosofia ele transmuta os seus atos perante o meio que vive, eis a diferença de pensamento.
Caro leitor, não estamos aqui para criticar o catolicismo ou qualquer outra religião, acreditamos que o protestantismo já faz suas críticas diretas, a história é a mesma basta estudá-la, temos dados expressivos de analfabetismo na interpretação de texto, o que concordamos, falta bom senso além de conceito, mas com boa educação e com vontade todos podem se compreender.
Vejam, para alguns seria impossível admitir que pessoas ligadas à bruxaria pudessem estar ligadas a política, se fosse assim não teríamos bancadas de religiosos no congresso! Vejam, um bruxo tradicional esta ligado a movimentos culturais também, ou seria apenas um tapado feiticeiro? Seria uma tremenda falta de bom senso acreditar que bruxos são apenas personagens míticos, que eles não se envolvem com as diversas camadas da sociedade, este pensamento é cabível somente para gente de mente fantasiosa.
Como alguém que não é tradicionalista pode afirmar algumas informações sem base? É impossível não termos separações conceituais e históricas dado aos eventos do tempo ao afirmar sobre Bruxaria Tradicional tardia. São obvios, pois não existem relatos desse ponto que conduzam a crença pré-cristã com propriedade, é obvio os elementos filosóficos clássicos, o foco apenas na magia e tantas outras considerações. Temos um cenário de Wicca versus Bruxaria Tradicional, uma disputa de Gerald Gardner com Robert Cochran ou das influências de Andrew D. Chumbley nitidamente ligadas a Austin O. Spare que em nada são similares com a base dos cultos pré-cristãos. A isto chamamos de “ruptura”, por tanto, uma nova visão que infelizmente usou do mesmo nome “Bruxaria Tradicional”.
Não estamos declarando que não houveram mudanças, mas essas mudanças não implicam na junção de outros sistemas mágicos incorporando na crença, no modo de agir, de pensar. Estamos falando de um caminho religioso e não de um agregado de misturas de diferentes épocas e sem sentido. Nos não observamos em outras crenças tradicionais dizerem que, por exemplo, o Budismo é diferente do que era antes, não vemos budistas traçando pentagramas no chão, não vejo budistas dizendo que Buda é um mecanismo psicológico de máscara para sociedade e tantas coisas absurdas e que estamos acostumados a ver no meio neo-pagão “erudito”.
Estamos aqui para desmistificar a crença na Bruxaria Tradicional, apenas isso, e sentimos realmente se alguns de nossos leitores assíduos se incomodam, não queremos que o nosso caminho seja distorcido para contemplar as particularidades de alguns que não se sentem a vontade em outras religiões neo-pagãs.
Utilizar desses argumentos: “se basear no Malleus Maleficarum (1487) com a manipulação da Igreja para dizer que bruxos portavam grimórios”, “Que um bruxo utiliza elementos de outras religiões porque ele é um sábio” “Que a organização e multi-cooperação devam ser vistas com suspeita” São pontos muito fora de contexto.
Queremos agradecer a todos que analisam nossos textos, mesmo no tom de crítica sem base, ou baseados em dados confusos e distorcidos. Sempre é bom ver o quanto podemos ajudar, é um termômetro para observarmos como anda o conhecimento da magia (e infelizmente está muito ruim), mas acreditamos como “religiosos esperançosos” que pelo menos os leitores se questionem sobre o que acreditam, e convidamos a todos para que venham nos conhecer pessoalmente. Acreditamos no debate de idéias, mas não da agressão direta e pessoal.
Autor: Ricardo DRaco
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