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quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Deusa Scâthach

A Deusa Scâthach era conhecida como "a Mulher que semeia o Medo". Deusa cujo reino era a Ilha de Skye (Sombra), onde treinava os jovens nas artes bélicas e na caça.
No entanto, apenas os aprendizes mais decididos sobreviviam à jornada, pois tinham que atravessar uma ponte instável que atirava os iniciados imprestáveis a água.
A perigosa ponte e outras tarefas difíceis e paradoxais eram típicos ao treinamento de Scâthach. As guerreiras-mestre, enviavam seus iniciados em buscas e depois colocavam barreiras em seu caminho. Na maioria das vezes, essas barreiras eram as próprias guerreiras,

transformadas em bestas ou guerreiros maléficos.
O herói irlandês Cuchulainn atravessou a ponte de Scâthach com o "salto do salmão": pulou até o meio da ponte e, com um segundo pulo, chegou até a outra extremidade, demonstrando metaforicamente o pulo de fé para ingressar no reino feminino.
Considerações lógicas e racionais devem ser postas de lado. A investida direta, a maioria das vezes, é o caminho mais curto ao mundo do inconsciente. A ajuda de uma mulher é importante, pois ela já nasce treinada nos mistérios femininos, possuindo um elo nato com a noite, a escuridão, o útero e a Grande Mãe. Isso, se não tiver sido rompido pelo sistema de valores patriarcais que despreza esses segredos femininos.
Scâthach ensinou a Cuchulainn as técnicas de guerreiro e também os mistérios do sexo. De acordo com a lenda, ela ofereceu-lhe "a amizade das coxas". Toda a guerreira celta era conhecida como uma furiosa amante erótica, mesmo podendo ser uma temível inimiga.
Segundo as velhas leis celtas irlandesas, era exigido de todo o proprietário de terras que servissem de guerreiro em seu clã e como as mulheres também tinham o privilégio de serem  proprietárias de terras, estavam obrigadas a fazerem parte da casta de guerreiros. Algo que era considerado uma honra.
Para os que não tinham posse de terras, era mais difícil obter essa honra. Havia a possibilidade dos pais darem seus filhos e filhas em adoção a um guerreiro(a), porém nem todas as famílias podiam custear tais despesas, pois o treinamento era cobrado. Geralmente os filhos passavam a servir o guerreiro(a), em troca da iniciação à arte da guerra. Outra possibilidade era por méritos próprios, como a condecoração por um feito heróico, ou algo do gênero.
As mulheres foram desvinculadas desse treinamento no ano 697 d. C, aproximadamente, por uma  lei irlandesa conhecida como "Cain Adamnain", editada por um bispo chamado Arculf, que depois acabou sendo chamado de São Adamnain. Júlio César disse que as mulheres guerreiras irlandesas possuíam muita força e em uma batalha contra os celtas, quando elas eram chamadas, havia muita pouca chance de se obter uma vitória.
Todos os guerreiros celtas, homens e mulheres, estavam submetidos a certos códigos de honra, que na Idade Média, ficou conhecido como "Códigos da Cavalaria".
As mulheres guerreiras não só desfrutavam do status da elite guerreira, como também tinham  obrigações. Uma das principais era instruir os novos guerreiros. Era costume celta as mulheres ensinar os homens e os homens ensinarem as mulheres.
A iniciação dos guerreiros era composta por três partes: armamento, cognominação e iniciação sexual. Depois de vencidas essas três etapas o guerreiro regressava à Irlanda e era considerado invencível.
Segundo algumas fontes, Scâthach era filha do rei Scythia e foi mãe de dois filhos: Cet e Cuar.
Já outra fonte diz que foi mãe de três virgens: Lasair, Inghean Bhuidhe e Uathach. 
Cuchulainn foi treinado por Scâthach durante um ano e um dia, período em que teve por amante sua filha Uathach. Ele também teve um filho com Aife, irmã de Scâthach, chamado de  "o infortunado Conlai", que mais tarde é morto por Cuchulainn, já que quando o jovem vindo da Ilha das Sombras para visitar Ulster, não se reconheceram e o enfrentamento foi inevitável.
Desgraçadamente, o anel de ouro que carregava Conlai o identificou, mas já era tarde demais. 
Foi também Scâthach que deu a Cuchulainn o "Gae Bolg", sua lança (ou espada em algumas versões).



quinta-feira, 24 de março de 2011

Conhecendo um pouco da mitologia celta


Conta uma antiga lenda celta, que Ceridwen era uma feiticeira que vivia no lago Bala. Ela teve três filhos: Morvran, que era muito bonito, como sua irmã Creirwy (ovo de cristal), da qual se dizia ser uma donzela iluminada. Mas o terceiro, Afag Du (escuridão total), era o menos favorecido dos homens.


Em compensação pela sua feiúra, Ceridwen decidiu preparar no Caldeirão mágico uma poção para Du Afag que lhe conceder-lhe-ia a sabedoria chamada Awen, o espírito da inspiração.


Esta poção seria preparada segundo as artes da Fferyllt: deveria ser fervida ao longo de todo um ano e mais um dia, ao final do qual se obteriam 3 gotas capazes de dar o Awen a quem as tomasse.


Ceridwen colocou duas pessoas para cuidar do fogo do caldeirão enquanto saiu para colher as ervas: um homem cego chamado Morda (grande bem) e um garoto chamado Gwion Bach (pequeno inocente).


Passou-se um ano inteiro e no último momento de preparação, algumas gotas do caldeirão salpicaram e Gwion, sentindo a queimadura na mão, levou-a a sua boca para lambê-la, recebendo de imediato, três presentes de Awen: a inspiração poética, a profecia e a capacidade de mudar de forma voluntariamente. O resto da poção se tornou venenosa e fez explodir o caldeirão quebrando-o em duas metades.


Pelo recém adquirido dom da profecia, Gwion soube que Ceridwen tentaria matá-lo por ter tomado o que estava destinado ao seu filho, assim, usando sua habilidade para mudar a forma transformou-se em uma lebre e fugiu velozmente, mas Ceridwen, ao dar conta do acontecido, perseguiu-o na forma de um cachorro. Gwion então tornou-se um peixe, e ela por sua vez se tornou uma lontra. Tornou-se então um pássaro, e ela um falcão. Gwion então tornou-se um grão de trigo em um celeiro, ela, porém, transformando-se em uma galinha preta o engoliu.


O grão de trigo que ela engoliu logo prenhou o ventre da bruxa, que em nove meses deu à luz um lindo bebê. Ceridwen, incapaz de matá-lo, colocou o recém-nascido em um saco de couro e lançou-o ao rio. O saco com o rapaz foi descoberto no dia 1 de maio pelo príncipe Elffin que, contemplando o lindo bebê exclamou:
"Vejam! Tem um rosto radiante!" E assim o menino recebeu o nome de Taliesin, que em galês significa "rosto radiante".


Taliesin, apesar de ser tão jovem, era capaz de improvisar versos perfeitos pela virtude de Awen, motivo pelo qual foi nomeado poeta privado de Elffin. Mais tarde iria lograr a fama de chefe dos bardos da Grã-Bretanha. Ao alcançar Awen, Gwion que havia se tornado Taliesin recordou a sua verdadeira existência e falou sobre sua estadia no Castelo Arianhrod e sobre as diferentes vidas que havia tido nos poemas recolhidos no "Livro de Taliesin".


Traduzido do site: http://leyendas-paganas.blogspot.com/2008/04/taliesn-y-el-awen.html -
by Lontra Voadora